Aldeia Estrela do Oriente

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NANÃ

Iabá misteriosa e muito mal compreendida. Curiosamente, Nanã não faz questão nenhuma de ser entendida. Se revela à medida em que seus filhos estão prontos para sustentá-la.

A origem de Nanã é incerta, assim como a origem do Universo. Só se sabe que ela sempre existiu e é uma das divindades mais antigas. Talvez daí advenha uma de suas mais notáveis virtudes, a Sabedoria.

Seu elemento é a lama, a fusão entre a Terra e a Água. Portanto, podemos dizer que o nosso corpo físico, que é o veículo de manifestação do Espírito na terceira dimensão e em outras próximas, é a própria Nanã.

Possuindo domínio sobre a Água e a Terra, Nanã tem a capacidade de fundi-las ou de separá-las. Alquimicamente, Nanã é fundamental; separa das nossas águas interiores os detritos pesados, aqueles que afundam (as más emoções), enquanto isola as melhores águas (as melhores emoções) para que permaneçam acessíveis.

Orixá da transmutação por excelência, é uma agente magística sem igual; não existe ser, vivo ou morto, que não passe pelo seu processo de transmutação em diversos momentos.

A decomposição, oriunda da “morte” trazida simbolicamente por seu filho Omolu, é regida por ela. Neste processo de decomposição, a matéria, que possuía uma forma, é transformada em gases, elementos e partículas fundamentais, para então ser reagrupada sob nova forma e devolvida a seu filho Abaluaê (a outra face de Omolu), que lhe soprará nova vida.

Não é à toa que toda a Transição Planetária possui forte influência de Nanã; na Fraternidade Branca, ela é a própria força do Raio Violeta sustentado pelo Mestre Saint Germain.

Nanã é tida como Iabá solitária e muitas vezes ranzinza, mas precisamos compreender o que esta Iabá manifesta em essência para compreendermos seus atributos. Sendo uma Iabá decantadora e transmutadora, ela é a própria usina de transformações em que a alquimia e a magia se realizam; é profundamente conectada com o propósito da vida e seu “mau humor e severidade” têm a ver, na verdade, com a sua proposta de não perder tempo com distrações e hologramas, além da compreensão e aceitação do tempo que cada ser deve levar para suas transformações pessoais.

Nanã é consciente e apropriada de sua própria sabedoria e experiência. Portanto, não tolera as firulas e máscaras da imaturidade, embora a respeite por compreender sua transitoriedade em cada ser.

É Senhora de poucas palavras. É ativada também para os(as) filhos(as) para o qual já se falou em demasia e não souberam compreender as oportunidades disponíveis; para os que priorizaram o saber em detrimento do intelecto, Nanã recorda a eles que a origem da Sabedoria é o profundo domínio emocional do qual ela é guardiã.

O Universo é uma caixinha de surpresas e Nanã ancora isso como nenhum outro Orixá. Ela é aquela vozinha que apenas sorri, e ninguém consegue compreender a fundo a verdadeira natureza do seu sorriso…

Quando a imaturidade vem acompanhada de humildade, inocência, fé e disposição daqueles que se apresentam como crianças, Nanã oferece todo o amor, piedade, compaixão, acolhimento e saber de uma avó que compartilha com seus netos a inspiração e ensinamentos de sua própria trajetória.

Quando a imaturidade vem acompanhada dos hologramas egóicos como arrogância, cegueira e vaidade, Nanã entende que não tem nada a “ensinar” aos sabichões pela via da Sabedoria.

Neste momento, ela se fecha e ativa a decomposição e decantação necessários (e, neste caso, dolorosos) para realizar a devida decantação e separação dos detritos que estejam impedindo que o Eu Matriz do indivíduo absorva o melhor de cada experiência. E, neste sentido, ela é implacável.

Saluba, Nanã!

Texto original de Leo Estelrich para Aldeia Estrela Azul do Oriente

Reprodução e compartilhamento permitidos desde que creditada a fonte original

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